Quando eu era criança e até os 14 anos / Deus era uma certeza tão grande quanto o ar que eu respirava. Dessas que nem são certezas, são antes constatações desapercebidas. Eu ainda não sei porque aconteceu / e agora acho que não preciso mais inventar motivos / um dia, voltando da escola pensando na morte, Deus não existiu mais e assim foi. Foi tanta a indignação de todo mundo que eu * comecei a dizer que era ateu e * comecei a relativizar a existência do ar.
Voltei a supor Deus por causa dos livros da Hilda Hilst, que estão sempre brigando com o Cara Escura, o Menino Porco, o Sem Nome.
Hoje eu acho que / fé cega, faca amolada / sendo o ateísmo uma fé tão chaaaaaaata quanto qualquer outra, deus me livre da prepotência de ditar qualquer coisa / eu quero mais é o mistério do planeta.
Fim
:)
terça-feira, 27 de outubro de 2009
III
Olhando o meu passeio Há um louco sobre o muro Balançando os pés. Mostra-me o peito estufado de pêlos E tem entre as coxas um lixo de papéis: -Procura Deus, senhora? Procura Deus?
E simétrico de zelos, balouçante Dobra-se num salto e desnuda o traseiro.
Em 79 a anistia, um monte de gente voltando pro Brasil, em 89 as eleições diretas, uma década entre isso. Então politicamente, né. O Fabinho diz que a mãe dele, grávida, o avô dele trancava ela em casa e ela fazia teresa pra descer pela janela e ir à praça da Sé às Diretas Já.
Deve ser muito maluco, mal tendo acabado a ditadura, e ver o PT crescendo daquele jeito, sendo incorporado em tudo quanto é canto do Brasil, era uma promessa bem palpável hein. O Lula por pouco não venceu o Collor nas eleições. A Erundina, em 88, virou prefeita de São Paulo.
*
Todas as bandas de rock, o Rock in Rio (que agora tá no Tejo!), as pessoas indo a shows e nos rádios o tipo de consumo nada a ver com aqueles festivais falsete dos anos 60. A Globo até fez uns, mas a gente não ouve dizer tanto deles. Tipo o Guilherme Arantes cantando "terra planeta água", nem dá pra comparar né.
Em 82 o primeiro disco do Barão Vermelho tocando "você precisa é dar". Que a Rita Lee também embarcou, o "me deixa de quatro no ato" é de 1980. Mas foi o pessoal da poesia marginal que começou isso uns anos antes, não?
Acho que nos anos 80 teve um boom do sexo pelo prazer, o cinema deixou um pouco de lado a pornochanchada e foi pra praia, menino do rio, leãozinho, lembra aquela cena do Bete Balanço?
Um jeito de corpo que não tinha antes. Uma década solar.
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O Caio Fernando Abreu lançou a maior parte dos livros dele nos anos 80. Os mais significativos. O Morangos mofados, que parece que solidificou ele no cenário literário e vendeu muito, é de 82. Que nem o A teus pés, que fez uma coisa similar pra Ana Cristina Cesar.
E a editora Brasiliense, hein! Um catálogo imenso, super diversificado, publicando muita gente nova e traduzindo um monte de gente que nunca que tinha aparecido no Brasil.
Foi o começo do mercado editorial que a gente tem hoje?
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Tá tudo muito desconexo. Estou tentanto raspar o que tenho de memória dessa década, mas as referências são todas indiretas. Eu lendo o Caio Fernando Abreu em 1996. A gente era muito criancinha ainda, né.
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Foi que a Sabina blogou esse vídeo aí e eu pensei ah será que a Julinha não quer retomar aquele nosso projetinho, nós com este prado todo pra rolar. Tenho pensado bastante na Ana C, no Cazuza e um pouquinho no Leminski / e to achando cada vez mais fixe fazer as ligações todas.
eu comecei a solenizar a budega toda e por isso entrei em silêncio e depois calhei de fazer a graça quando o B tava aqui em casa e inventamos que se você comprasse uma câmera (além do microfone meu amor que vontade de ouvir a tua voz) a gente podia conversar com você em triângulação de imagem-som e a gente projetava você imensão na parede e eu ia tirar tantas perguntas... aliás, cadê tuas respostas pras minhas novas perguntas?
mas antes, aqui ia te dizer: citar o nietzsche pra concluir que o meu texto sobre deus cheio de dúvidas de ateus e místicos é porque eu boto ver na beleza da imaginação e do simbólico e também de que, por via de regra, é tudo invenção.
a frase do nietzsche me mostrou na verdade como foi importante (e é) a morte de deus. ou o dostoiévski: "se deus morreu tudo é possível". é imprescindível arrasar a terra muito muito até não sobrar nada nada. e daí as ervinhas recrescem pelo amor delas mesmas. por que as coisas se amam a si mesmas?
a citação do Nietzsche você já conhece que eu mandei por e-mail. mas pra quem não é você e passa por aqui: d'A gaia ciência: se deus morreu: "Nosso mar está ali emaberto. Talvez nunca tenha havido um martãoemaberto."
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apareceu uma barata enorme na cozinha andando entre os potes e pratos e eu gritei.
POR DEUS
écathy bicho pré-histórico
vem me salvar?
beijos, zuliem.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
NÃO DEIXO DE ESPERAR A VÍDEO-CONFERÊNCIA com marcos visnadi e eu.